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Radar: projeto quer ponto de descarte para agulha de insulina e de caneta para emagrecer

Projeto na Câmara cria descarte especial para agulhas usadas em casa, vidro de Noronha que volta a ser garrafa, embalagens devolvidas em Portugal achadas no mato e o depósito em garrafas e latas que chega à Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte até 2027.

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Quatro notícias do nosso radar: duas do Brasil e duas de fora. Em comum, o caminho certo para o que sobra, da agulha usada em casa à garrafa de vidro.

Agulha de insulina e de caneta para emagrecer pode ganhar ponto de descarte

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 1674/2026, do deputado Dr. Daniel Soranz (PSD-RJ), que cria um sistema nacional de logística reversa para agulhas, seringas, lancetas e tiras de medir glicemia usadas em tratamentos feitos em casa. O assunto foi noticiado nesta quinta (22). Pela proposta, esse material não poderia ir para o lixo comum, o esgoto ou a rua. A entrega seria em pontos de coleta de resíduos de serviços de saúde ou em recipientes em lugares de muito movimento, como shoppings, supermercados, unidades de saúde, escolas, rodoviárias, aeroportos e estações, de preferência dentro dos banheiros públicos.

O projeto foi apresentado em abril e está na Comissão de Meio Ambiente, à espera do parecer da relatora, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP). Depois, ainda passa pelas comissões de Saúde, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça. A análise é conclusiva nas comissões: o projeto pode ser aprovado sem passar pelo plenário da Câmara; depois, segue para o Senado. Não há data de votação. Na justificativa, o autor cita o aumento dos tratamentos com injeção em casa, como no diabetes e nas canetas para emagrecer.

O que isso muda para você: por enquanto, nada: é projeto, não lei. Hoje, segundo a norma técnica da ABNT citada numa reportagem da Folhapress, a agulha usada vai num recipiente de parede rígida, com tampa; um pote ou uma garrafa plástica firme serve. Fabricantes de canetas ouvidos na reportagem orientam entregar as agulhas numa Unidade Básica de Saúde (UBS), e a Prefeitura de São Paulo diz que todas as UBSs da cidade recebem. Como cada cidade define suas regras, pergunte na UBS mais próxima. Agulha é material perfurocortante e não deve ir solta no lixo comum.

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Garrafa de vidro de Fernando de Noronha volta a ser garrafa

Seis toneladas de vidro recolhidas em Fernando de Noronha (PE) foram enviadas ao Recife para virar garrafas novas de Corona, segundo o site CicloVivo, nesta quinta (22). O envio é do projeto Protect Paradise, criado em 2021 pela Green Mining, empresa de logística reversa, com a Corona como parceira desde o início. A carga foi em seis big bags, transportados pela Agemar.

Segundo a Green Mining, é a primeira vez que o vidro recolhido no arquipélago volta a ser usado para fazer esse tipo de garrafa. Antes, ele era triturado na própria ilha e usado no lugar da areia na construção. A montadora GWM também participa, com um veículo híbrido recarregado com painéis solares; desde o início dessa participação, foram recolhidas 4 mil garrafas, segundo o texto.

O que isso muda para você: as informações vêm das empresas envolvidas, sem confirmação independente. A notícia mostra que o vidro só vira garrafa de novo quando chega separado a quem recicla. Em casa, separe garrafas e potes sem resto de comida e confira se a coleta seletiva da sua cidade aceita vidro, como lembramos no Radar de ontem (22), sobre Cancún.

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Em Portugal, garrafas devolvidas na máquina apareceram jogadas no mato

Portugal investiga o caso de centenas de garrafas e latas amassadas ou quebradas, que já tinham passado pelas máquinas do Volta, o sistema de depósito do país, e foram encontradas abandonadas numa área de mata no município de Odivelas. O caso ganhou força com um vídeo de Ricardo Fonseca no Facebook, que passou de 1,4 milhão de visualizações, segundo o site SIC Verifica, citado pelo The Climate Watch nesta sexta (23).

Essas embalagens deveriam ter seguido para centros de contagem e triagem. A SDR Portugal, que administra o Volta, chamou o caso de completamente inaceitável e abriu uma investigação. A prefeitura de Odivelas informou que uma empresa de coleta retirou o material em 28 de setembro e que ainda não conseguiu tomar medidas legais, porque os responsáveis não foram identificados; ela estuda identificar os sacos de coleta. Pela lei portuguesa, segundo a reportagem, jogar resíduos em floresta é infração ambiental muito grave, com multas que, para empresas, podem chegar a 2,5 milhões de euros quando há intenção.

O que isso muda para você: um sistema de devolução só funciona se o material recolhido chega mesmo à reciclagem, e isso depende de fiscalização. Por aqui, quando você entrega recicláveis a um programa de troca ou a um ponto de coleta, vale perguntar para onde o material vai.

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Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte vão ter depósito em garrafa e lata até 2027

Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte preparam um sistema de depósito para garrafas e latas de bebida: o valor é devolvido a quem leva a embalagem de volta. Segundo comunicado da empresa britânica Hargreaves Services desta quinta (22), o sistema deve começar até 1º de outubro de 2027 na Inglaterra, na Escócia e na Irlanda do Norte.

No mesmo comunicado, a Hargreaves anunciou um contrato de 15 anos com a Re.Group, empresa australiana de reciclagem, para cuidar da logística do sistema na Escócia: recolher as embalagens devolvidas nos pontos do comércio e levá-las até as instalações de processamento. O contrato começa em outubro de 2027.

O que isso muda para você: é o mesmo modelo da Irlanda, que mostramos no Radar de 15 de outubro: lá, segundo o site Ireland Live, a reciclagem dessas garrafas e latas passou de cerca de 49%, antes do sistema, para mais de 90%. No Brasil, não há um sistema nacional de depósito; as iniciativas de troca são locais, como o Recicla Pay de Porto Velho, que mostramos no Radar de 14 de outubro. Enquanto isso, a lata e a garrafa limpas podem ir para a coleta seletiva ou para um catador.

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Fontes

Apuração: Redação Patanatu. Informações conferidas em 23 de outubro de 2026.

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