Radar: no mundo, cada pessoa joga fora 79 kg de comida por ano dentro de casa
Dia Mundial da Alimentação com dicas para desperdiçar menos, SP ouvindo a população sobre o lixo até 2046, embalagem vazia de cosmético que vira desconto e casca de banana testada como filtro na África do Sul.
Quatro notícias do nosso radar: duas do Brasil e duas de fora. Em comum, o que sobra (de comida, de embalagem, de casca) e o que dá para fazer com isso.
Em casa, cada pessoa joga fora 79 kg de comida por ano
Hoje, 16 de outubro, é o Dia Mundial da Alimentação, que marca a criação da FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura, em 1945. A rede Al Jazeera reuniu os números mais recentes da ONU sobre o tema. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), lojas, restaurantes e casas jogaram fora cerca de 1,05 bilhão de toneladas de comida em 2022, quase um quinto do que chegou ao consumidor. As casas respondem por 60% desse total.
Na média mundial, são uns 132 quilos por pessoa por ano, dos quais 79 quilos vão para o lixo dentro de casa. Ao mesmo tempo, 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025, segundo a ONU.
O que isso muda para você: no Brasil, a campanha #FazAXepa, do programa Brasil Sem Desperdício (WWF-Brasil e a organização britânica Wrap), lembra que, segundo a campanha, o país desperdiça 30% do que produz. Já o IBGE aponta 55 milhões de brasileiros com algum nível de insegurança alimentar. Em casa, as dicas que a reportagem reúne são simples e ajudam a gastar menos com comida que iria para o lixo: olhar a geladeira e fazer lista antes da feira, colocar na frente o que é mais antigo, cozinhar a quantidade certa de arroz e macarrão, congelar pão e comida pronta antes de estragar e usar talos e cascas em caldos e sopas. Outra dica da lista: manter a geladeira a 5 °C ou menos, e guardar a banana longe das outras frutas, porque ela acelera o amadurecimento delas.
São Paulo quer ouvir você sobre o lixo dos próximos 20 anos
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do Estado de São Paulo abriu na terça-feira (13) uma consulta pública para revisar o Plano Estadual de Resíduos Sólidos, que vai orientar o tema até 2046. A consulta fica aberta até 13 de novembro, às 18h, e qualquer pessoa, prefeitura, empresa ou entidade pode mandar sugestões.
A proposta tem 38 metas, divididas em 13 temas, entre eles coleta seletiva, economia circular, logística reversa, lixo no mar e entulho de obra. Segundo o governo paulista, o estado gera por ano cerca de 15,5 milhões de toneladas de lixo urbano e 27,6 milhões de toneladas de resíduos da construção civil. Também estão previstas duas audiências públicas, uma presencial e outra online, com datas ainda a serem divulgadas.
O que isso muda para você: é nesse plano que se define, por exemplo, quanto a coleta seletiva deve crescer no estado. Se a coleta não passa na sua rua, ou se falta ponto de entrega perto de casa, este é um canal oficial para dizer isso. A participação é pelo formulário on-line. O texto do plano e o formulário ficam em semil.sp.gov.br/pers.
Embalagem vazia de cosmético, de qualquer marca, vira desconto
A Natura anunciou no Dia do Consumo Consciente, quinta-feira (15), que o programa NaturaRecicla passa a funcionar em todas as suas mais de mil lojas no Brasil, próprias e franqueadas. Quem leva três embalagens vazias e limpas de cosméticos, de qualquer marca, ganha R$ 15 de desconto numa compra de pelo menos R$ 150 feita na hora da entrega. O limite é de um resgate por CPF por dia, segundo o site AdNews.
Segundo a empresa, as embalagens vão para cooperativas de catadores parceiras, que são pagas pela triagem e mandam plástico, vidro e alumínio para a reciclagem.
O que isso muda para você: o desconto só faz sentido se você já ia gastar R$ 150 na loja. Não vale comprar para ganhar o desconto. Mas a loja passa a ser mais um ponto para deixar frasco de xampu, creme e perfume. Se você não vai comprar nada, a embalagem limpa e seca também pode ir para a coleta seletiva da sua cidade.
Na África do Sul, casca de banana vira filtro de metal na água
Pesquisadores da Universidade de Tecnologia Mangosuthu e da Universidade da África do Sul recolheram cascas de banana num mercado de frutas e verduras, secaram, moeram e testaram o pó como filtro para tirar cobre e cromo da água. Segundo o site Bioengineer, o estudo saiu na revista científica Frontiers in Environmental Engineering. A casca é uma boa parte da fruta: até 40% do peso, segundo o texto.
No laboratório, com água preparada de propósito, o pó retirou até 97% do cobre e até 65% do cromo, nas melhores condições. Os próprios autores avisam que ainda faltam testes com esgoto e água contaminada de verdade, e que o cromo pode exigir tratamento extra.
O que isso muda para você: por enquanto, nada na sua torneira. É um teste de laboratório, e não é para tentar filtrar água em casa com casca de banana. A ideia mostra como uma sobra comum pode ganhar valor. Na sua cozinha, a casca pode ir para a composteira, se você tiver uma.
Corrigido em 16 de outubro de 2026: o dado de 30% de desperdício no Brasil é da campanha #FazAXepa, não do IBGE.
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Fontes
- Al Jazeera: which countries waste the most food, and how to reduce waste at home (16/10/2026)
- Folha de Pernambuco (Agência Brasil): campanha busca engajamento para reduzir desperdício de alimento (3/10/2026)
- Agência SP: SP abre consulta pública para revisão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos até 2046 (15/10/2026)
- Semil-SP: Plano Estadual de Resíduos Sólidos, consulta pública
- AdNews: Natura amplia programa de logística reversa para mais de mil lojas no Brasil (15/10/2026)
- Bioengineer.org: banana peels turned into low-cost filters that pull toxic metals from water (16/10/2026)
Apuração: Redação Patanatu. Informações conferidas em 16 de outubro de 2026.
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