Quatro notícias do nosso radar: duas do Brasil e duas de fora. Em comum, o que fazer com o que sobra, do carregador quebrado ao uniforme que ninguém usa mais.
Cartórios vão receber celular, cabo e carregador velhos
A RARES-NR, rede ambiental e de responsabilidade social dos notários e registradores, fechou parceria com a Circular Brain, empresa de logística reversa de eletrônicos. O projeto, chamado Eletropontos Circulare, prevê pelo menos 300 coletores gratuitos em cartórios de municípios de todas as regiões do país. A notícia foi divulgada nesta segunda (19) pela Anoreg/RS, associação dos cartórios gaúchos.
Os coletores recebem pequenos eletrônicos, como celulares, carregadores, cabos e fones de ouvido. A Circular Brain fornece as caixas, recolhe o material e diz que garante a destinação correta e o rastreamento do que foi entregue. Nesta etapa, a rede está chamando cartórios de uma lista de municípios prioritários.
O que isso muda para você: o cartório vira mais um lugar para deixar o eletrônico pequeno que está parado na gaveta. Segundo o Global E-waste Monitor 2024, citado na nota, o Brasil gerou cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022. Nem todo cartório vai ter coletor, então vale perguntar no da sua cidade. Se não tiver, as agências dos Correios que participam da coleta, que mostramos no Radar de 15 de outubro, são outra opção. Antes de entregar o celular, apague seus dados e tire o chip.
No Ceará, bagaço de cerveja vira ração para vaca
Depois de fazer cerveja, sobra o bagaço do malte. No Ceará, a Biovalor, startup incubada na Universidade Estadual do Ceará (Uece), transforma esse resto em ração peletizada para o gado leiteiro, pensada principalmente para a época de seca. A empresa apresentou a ideia na sexta (16), numa reunião da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do estado (SDE) com startups, segundo o site OpiniãoCE.
Na mesma reunião, outra empresa, a Eco Pallets Pecém, mostrou como reaproveita a madeira usada no transporte de chapas de aço do Complexo do Pecém para fazer paletes. Um dos sócios da Biovalor disse que a ração pode atender as mais de 73 mil vacarias do estado.
O que isso muda para você: é um exemplo de negócio que nasce de uma sobra que já existe em grande quantidade, perto de quem pode usar. Não há números de venda ou de preço divulgados, e não dá para dizer se a ideia dá lucro. Para quem pensa em empreender com resíduos, a lição é olhar o que sobra no seu bairro ou na sua região e quem poderia precisar disso.
Em Bogotá, uniforme velho vira mochila e lancheira
A Secretaria de Ambiente de Bogotá, na Colômbia, divulgou nesta segunda (19) os números da estratégia Dotaciones Circulares, que pega uniformes de trabalho no fim da vida útil e os transforma em mochilas, lancheiras e organizadores de ferramentas. Desde 2025, dez empresas e entidades entregaram uniformes e roupas de jeans, entre elas operadoras do transporte público da cidade.
Segundo a prefeitura, foi mais de uma tonelada de tecido, que virou 7.250 produtos e deixou de ir para o aterro Doña Juana. As peças são refeitas por mulheres do programa Manos Reparadoras, da Red Moda Circular. Uma delas contou que o trabalho permitiu que ela virasse fornecedora de várias empresas.
O que isso muda para você: no Brasil também há costureiras e pequenos ateliês que reformam roupa e fazem bolsa com tecido usado. Se a sua empresa troca de uniforme todo ano, vale perguntar para onde vão os antigos. Em casa, a calça jeans rasgada pode virar bolsa, avental ou pano, ou ir para um ponto de doação de roupas.
No México, um estado marca mutirão para recolher eletrônicos
A Procuradoria Ambiental do estado de Guanajuato, no México, anunciou nesta segunda (19) o Reciclón 2026, uma coleta de eletrônicos usados em parceria com a empresa REMSA. Serão dois locais: o estacionamento da Plaza Galerías, em Salamanca, aberto à população nos dias 6 e 7 de novembro, e o polo logístico Guanajuato Puerto Interior, no dia 9, para empresas com cadastro prévio, sempre das 9h às 15h.
A lista de itens aceitos inclui celular, notebook, tablet, televisão, monitor, impressora, roteador, cabo, carregador e teclado. Quem entrega recebe um certificado de destruição correta ou de reaproveitamento do material. A nota do governo cita um dado da Faculdade de Engenharia da Unam: o México gera mais de 1 milhão de toneladas de lixo eletrônico por ano e fica em terceiro lugar nas Américas, atrás dos Estados Unidos e do Brasil.
O que isso muda para você: o Brasil aparece nessa conta logo atrás dos Estados Unidos. Por aqui, a logística reversa de eletroeletrônicos de uso doméstico é obrigatória desde o decreto federal 10.240, de 2020, e há prefeituras que fazem mutirões parecidos. Vale ficar de olho no site da prefeitura da sua cidade e juntar os aparelhos velhos numa caixa até o próximo.
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Fontes
- Anoreg/RS (fonte: RARES-NR): Circular Brain e RARES-NR levam pontos de coleta de lixo eletrônico aos cartórios do Brasil (19/10/2026)
- OpiniãoCE: startup da Uece transforma bagaço de cerveja em ração para rebanho leiteiro no Ceará (19/10/2026)
- Prefeitura de Bogotá (Secretaría Distrital de Ambiente): Bogotá impulsa economía circular con 7.250 nuevos productos elaborados con uniformes en desuso (19/10/2026)
- Governo de Guanajuato (PAOT): Procuraduría Ambiental invita al Reciclón 2026 (19/10/2026)
- Planalto: Decreto nº 10.240, de 12 de fevereiro de 2020 (logística reversa de eletroeletrônicos)
Apuração: Redação Patanatu. Informações conferidas em 20 de outubro de 2026.
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